Asking for help

Now THIS is amazing. I’ve also seen AFP’s talk longer ago – really touching, confronting, bold, radical, inspiring – and it lingered on in my head times after having watched it for the first time (with a room for a second, third, fourth, Nth time…). It was nice to be reminded of this talk today once more by having this post fall on my lap – and seeing some different ways people have of connecting and valuing the humanity in others – of showing they care. Specially funny for having been confronted with so much food for thought lately (involving even some brooding over how I’d look like if I had my head shaved, funny thing) and pondering over the coherence between discourse and action I’m entangled in. Feeling some thoughts rewire in here.

George Blogs

I watched a TED talk by Amanda Palmer last week, it was doing the rounds on facebook in one of those articles that is guaranteed to put me off! Enough people I respect commented or shared it for my interest to be peaked and I’m really glad I watched it. I would highly recommend the 14 minutes of your life it takes to watch it.

Essentially it is a story of trust, reciprocity, connection and vulnerability – dressed up in a fantastic narrative about the music industry, crowd-surfing, couch-surfing and her hugely successful attempts to crowdfund her work.

I’ve been musing on this video ever since. There was so much of it that spoke to me, what she said about trust and asking for help, about connectivity between people, about systems and hierarchies, and vulnerability and change. I don’t want to spoil it, I’d highly recommend it. Then I read…

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Diminuindo uma pegada que já calça 35

Tenho pés pequenos. Calço 35 e já me perguntaram sobre como consigo me “equilibrar sobre meus pés”. Nem é preciso resposta pra isso. Basta ver que quem tem menos de 1,60m não precisa de muito mais que um delicado par de 35 pra conseguir andar.

Esses dias me caiu no colo um artigo curto no Mashable com especialistas contando sobre o que fazem para diminuir seu impacto – e calçar menos que 35 no que diz respeito à sua pegada de carbono. Uns fazem coisas muito simples, como não deixar nada fora de uso plugado na tomada, andar de bicicleta e trocar equipamentos movidos a gasolina por elétricos. Deixar de andar de avião e se tornar vegetariano são medidas um pouco mais radicais, digamos. Sou adepta das atitudes muito simples e não muito das radicais. A criação de gado de corte pode ser responsável por quase 20% das emissões de CO2 na atmosfera e pode gerar desmatamentos homéricos na Amazônia. Mas a carne vermelha foi decisiva na nossa evolução para Sapiens Sapiens, por outro lado. Enfim, acho que dá pra ser sustentável, sim, sem ser vegetariano. Num mundo ideal, as empresas teriam mais responsabilidade ambiental, as políticas seriam nesse sentido seriam mais assertivas e menos flexíveis e a diminuição massiva na demanda por carne teria um impacto na produção e na oferta. É uma questão de aprender a lidar com o desejo – individual e coletivamente. Nada mais além do nosso desejo continua a ferrar com o mundo. Dá pra não comer carne todos os dias. Dá pra apoiar a agricultura local – procurar pessoas que plantam alguma coisa e comprar delas (se você não tem tempo de plantar sua própria comida, como é meu caso). Dá para não ter um carro: morando numa bolha onde é possível se dar o luxo de resolver tudo a pé ou de bicicleta – ou em São Paulo, onde é difícil achar estacionamento e se tem o transporte público como opção viável. Dá pra ser bem mais racional no uso dos recursos – água, energia elétrica, sua própria energia – e dá para não desperdiçar tanta comida, tempo, dinheiro. Dá pra comprar menos coisas, menos roupas, menos papel. Escutar mais e observar mais.

Como uma criança urbana e classe média-baixa, imaginava que a esta altura já estaria morando em Nova York, trabalhando para alguma mega corporação e dando voltas pelo Central Park umas duas ou três vezes por semana (provavelmente de bicicleta). Um sucesso de público e crítica. Mas não tem salário que possa comprar a beleza (e, por que não, a paz) de se poder ter suas próprias decisões. De ser o timoneiro do próprio barco. Nem que esse barco vá para o mato e te faça pensar na sua pegada de carbono e essas coisas. Dá para se equilibrar muito bem sobre um 35, pensando bem.

A tiny glimpse of North America

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So I got my North American christening a few days ago.

E, por incrível que pareça, gostei da coisa toda bem mais do que achava que fosse gostar. Algumas recorrências se fizeram notar por entre as coisas novas. A primeira delas (e, suponho, a mais feliz) foi fazer uma viagem cheia de amigos. Em Toronto, primeira porção de solo (frio) do sub-continente onde pus os pés, consegui – em 90 minutos – comprimir sorrisos, planos e expectativas com um casal de amigos que amo. A última vez que nos vimos foi há pouco menos de um ano, quando ainda moravam na Espanha. A vida dá mesmo voltas. E grandes, algumas vezes.

Na capital americana, depois de dias intensos de trocas de impressões, trabalho e contatos na academia (sempre a academia), me encontrei com outra amiga (que já não via há bem mais tempo) e foi ótimo re-conectar, re-conversar, trocar livros e ideias. E de novo, planos, memórias. Aproveitamos uma tarde ensolarada de domingo para andar pela Tidal Basin, dar um oi para os monumentos e memoriais.

Ao me deparar com Abraham Lincoln, Thomas Jefferson, Martin Luther King Jr., Roosevelt e soldados das guerras do Vietnã e da Coreia – além de figuras lúgubres da Grande Depressão – foi fácil perceber por que os americanos ainda têm em si muito viva a ideia de destino manifesto, presente na cabeça dos colonizadores ingleses antes que eles deixassem o Velho Mundo. Foi como sentir penetrar pela pele os valores que fundaram o país. Estão vivos e vão muito bem, obrigado. Foi um choque perceber a diferença de trato que esses gringos têm com a memória deles e, por outro lado, lembrar como lidamos com a nossa. Temos, sim, a memória curta. Lá eles empenham recursos para não se esquecer da sua, para manter a veia do desbravamento pungindo sempre. Por um instante, acho que consegui captar um pouco o porquê de os americanos serem tão orgulhosos de seu país. E algo do porquê de serem tão competitivos ou profundamente militaristas: a guerra exerce uma função de coesão social importantíssima e, se me permitem, acho que isso tem muito a ver com a raiz protestante da cultura norte-americana: erradicar o mal é uma tarefa moral e um dever dos homens e mulheres de bem (principalmente dos homens de bem). É preciso que exista a dicotomia entre o mal e o bem, us versus them, para que isso funcione. E funciona. Aqui embaixo as coisas não são tão assim separadas em caixinhas – ou talvez a gente use mais caixas para separar as coisas ao invés de apenas duas (obrigada, Mama Africa!). A impressão que tive foi a de que o protestantismo também ajudou a fundar, consolidar e sacralizar valores como democracia (pelo menos como eles a veem lá, um pouco diferente da nossa tradição democrática aqui) e liberdade de expressão. Mas, por outro lado, dessa mesma raiz saiu a crença na meritocracia e, dela, o capitalismo exacerbado pelo qual nossos primos gringos são conhecidos.

A meritocracia, como a gente sabe, é uma falácia. Não sei se existe de verdade nem na cabeça de quem acredita nela (e isso é algo que vai muito além de simpatias com esquerda ou direita), mas, nos EUA, acho que isso é uma realidade. Deus não abençoa quem não trabalha e o destino de quem não trabalha é ser pobre. Não fiquei lá tempo o bastante para observar, mas deu pra ver que Max Weber fez e faz, afinal, muito sentido. Como não ver a afinidade entre protestantismo e capitalismo in your face? Por outro lado, acho que fica visível também de onde surgiu a megalomania, o capitalismo selvagem, enfim, a Times Square. A riqueza antes era bênção de Deus (e não usura ou pecado, como na nossa tradição franciscana católica) e hoje, acho que continua sendo um dever moral. Acho que a necessidade de ganhar cada vez mais é uma anomalia desse tipo de valor. Mas realmente é preciso se passar mais que uma semana e meia num lugar para perceber algumas coisas (principalmente as que a gente julga ser óbvias).

Enfim. A gente fica viajando nessas coisas, mas é importante não deixar de ‘viajar na viagem’ – tentar estar cem por cento presente onde se está. MindFULLness.

Nova York se apresentou pra mim primeiro nas ondas de uma banda septuagenária de Dixie Land que tive a sorte de presenciar na NY Public Library for the Performing Arts. Veio depois nas notas de outra banda de jazz tocando numa tarde aleatória na Washington Square e, finalmente, se mostrou hipnótica no palco do Village Vanguard nas notas do piano de Kenny Barron.

Se mostrou inspiradora através do Metropolitan e do Natural History Museum. Foi bom ter companhia para versar sobre o papel e a função da arte, pós-modernismo, identidade cultural. Repensar conceitos. Esgotar argumentos. E poder ser uma das últimas pessoas a sair do museu sem sentir culpa. Melhor que ter amigos que compartilham gostos em comum é poder fazer o teste e provar o fato de que existem interesses em comum.

Nova York também se mostrou sensual (e aqui me sinto dando uma de Ítalo Calvino) em seus cheiros, gostos e cores. Os sabores da Índia, da China, do México e da Tailândia se misturaram à diversidade do orientalismo de China Town, ao mellow spirit de Little Italy, a realidade crua do Harlem e ao cool de Astoria, com um toque de casa de chá hip e um gostinho de biergarten.

A cidade me deu sua face assustadora (e dinâmica) pelas voltas no grande centro, em seu cenário ensandecido pós-futurístico megalômano à moda de Blade Runner na Times Square (ufa! Haja fôlego até pra descrever isso). E foi um soco no estômago em Wall Street (onde, em frente à Bolsa de Valores, tive o prazer de dar uma cuspida e limpar os sapatos).

Mas também se mostrou apaixonante por entre os cabos da Brooklin Bridge ao pôr-do-sol (e me lembro da lua linda que fazia naquele fim de tarde) e nas ondas do rio Hudson passando por debaixo do ferry para Staten Island.

E fez me sentir a menina mais sortuda do mundo por causa das companhias com quem tive o prazer de dividir refeições, vinhos, cervejas, conversas, impressões, planos, músicas, abraços e olhares. De Toronto a Nova York. Além de ter sido objeto de uma hospitalidade imensa (e não vejo problema em usar ‘objeto’ como termo aqui). Sortuda por ter tido a oportunidade de rever amigos que não via há algum tempo e, quem sabe, ter feito outros. De ter tido conversas interessantes e poder falar o que penso sem medo de parecer chata ou maçante demais, cansando a beleza e minando a paciência do meu interlocutor (e essas coisas acontecem).

Enfim. Não tenho como não ter gostado de um país que me recebeu tão bem. Com seus prós e contras, é claro, aspectos que maravilham e enojam, mas as pessoas são assim, as culturas são assim. Mas ainda foi muito pouco tempo para ter insights mais acertados sobre a cultura norte-americana. E foi uma experiência humbling também: não basta conhecer e ter um bom domínio da língua do lugar pra onde se vai – sacar as sutilezas exige muito tempo de observação e prática. E não é coisa para iniciantes. A comunicação, afinal, tem vários níveis, até chegar ao incomunicável. Foi um pouco chocante perceber que falta mais do que eu imaginava para entender certas peculiaridades de comunicação. Mas também faz lembrar (e ainda bem) que não é possível se diluir completamente em uma outra cultura, tendo sido criada num determinado lugar (não sei quanto às third culture kids – mas isso é papo pra uma outra conversa).

No final, me sinto feliz por poder desenhar a cidade e a experiência com palavras (e algumas fotos, de longe muito menos numerosas que as frases e caracteres que usei). Cada um fotografa como pode – na falta de talento com a câmera, a gente usa o que vem à mão. :-)

Mais palavras roubadas

Essas são da Laura Caro e valem um belo reblog. Que bueno que hay chicas que saben dibujar con palabras. ;-)

Qué bueno que soy fea

Hoy llamó un cliente por teléfono. Uno de esos hombres confiados que se mueven por el mundo como si fuera un territorio que les pertenece. Me habló, me hizo un chiste y un par de horas después se apareció por la oficina. “Vos sos la vocecita sexy que contesta el teléfono” sentenció con suficiencia mientras desparramaba su mirada por mi cuerpo con la certeza del que no tiene que pedir permiso para nada. Más tarde, vinieron a decirme que el tipo era dueño de varias empresas, que tenía mucha plata, que estaba recién divorciado y que había preguntado por mí. ¿Estás soltera? Me preguntaron. Si vos, siendo extranjera, estás sola, es porque querés. Aprovechá.

Me hirvió la sangre, no puedo mentir. El ser extranjera me puso en una posición en la que no había estado jamás en mi vida: me convirtió en trofeo. Pensé en todas las mujeres perfectas que andan por el mundo siendo tratadas como trofeos, como cosas que se pueden comprar. ¿Se darán cuenta de que las están tratando así? Qué bueno que soy fea. Pensé. Qué bueno que después de 27 años de habitar este planeta, sea esta la primera vez que me siento tratada como un objeto.

Qué bueno que a los 15 años me dijeron que era una mujer incompleta porque tenía el pecho plano. Qué bueno que una tía sentenciara que tenía la tragedia de no haber desarrollado cintura. Qué bueno que anularon mis esperanzas de tener el cuerpo perfecto porque me liberaron de miles de preciosas horas encerrada en el gimnasio y me regalaron la dicha de hacer deporte sólo por diversión. Qué bueno que hace tiempo dejé de hacer dieta. Qué bueno que me puedo sentir hermosa cuando voy en bici y el viento me despeina el pelo, sólo porque sé que voy feliz.

Qué bueno que nunca aprendí a maquillarme y que ese compañero de la universidad me dijo que me vestía como una tonta. Qué bueno que destruyeron mis ilusiones de estar a la moda, de ser elegante, chic. Qué bueno que me liberaron de la responsabilidad de vestirme bien. Qué bueno que me puedo poner cualquier cosa que me parezca bonita, aunque no combine, aunque no me luzca. Qué bueno que me puedo sentir hermosa cuando sonrío con mi boca sin pintar y cuando me siento en un parque a tejer con mis manos sin manicura.

Qué bueno que nunca logré mantenerme peinada. Qué bueno que me liberaron de varias horas semanales conectada a la plancha y al secador. Qué bueno que puedo sentirme hermosa con mis raíces sin retocar, con mi melena sin alisar. Qué bueno que no tengo la obligación de pasar una hora diaria frente al espejo y puedo divertirme como una niña jugando a ser mayor cada vez que decido arreglarme un poco más para ir a una fiesta.

Qué bueno que el chico que me gustaba me dijo que me reía como una cacatúa, que me faltaba delicadeza, que parecía un machito. Qué bueno porque me liberó de la obligación de sentarme bien, de no ensuciarme, de conservar la compostura. Qué bueno que me puedo sentir hermosa cuando juego, cuando la lluvia me encrespa el pelo, cuando me tiro de cabeza al río y cuando me río a los gritos porque no puedo evitar que la risa se me derrame como un vendaval.

Qué bueno que no soy de las mujeres que atraen todas las miradas. Qué bueno que me siento en el legítimo derecho de escoger al tipo que me guste y sacarlo a bailar. Qué bueno que soy capaz de invitar a un hombre a salir. Qué bueno que sé dar el primer beso. Qué bueno que no tengo que esperar que me vengan a buscar, que me elijan. Qué bueno que puedo elegir. Qué bueno que no tengo miedo de meter la pata.

Qué bueno que todas esas personas me lastimaron y me hicieron resignar la posibilidad de ser una mujer perfecta. Qué bueno que me ahorraron 27 años de experiencias humillantes como la de hoy. Qué bueno que cada hombre que ha estado a mi lado se ha permitido hacerme reír sin temor de decir un chiste malo, bailar conmigo aunque baile mal, conversar por horas de tonterías y respetar mis silencios sin incomodidad.   Qué bueno que me han dejado enamorarme de sus propias imperfecciones, de sus torpezas, de sus cicatrices con la misma equidad que ellos se enamoran de las mías. Qué bueno que no soy de aquellas mujeres que representan “una renta en perfumes y bolsos”, qué bueno que no me derriten con una frase fácil, una esquela perfumada y un carro último modelo. Qué bueno que me quitaron la esperanza de ser rescatada, porque ya no necesito que nadie me rescate.

Qué bueno que no tengo que esforzarme por ser especial, por romper un molde. Qué maravilloso haber fallado desde el principio en el importante ejercicio social de ser quien tenía que ser. Qué bueno que todas esas personas pasaron por mi vida para recordármelo y qué bueno que no se quedaron.

A reminder

Just now, I stumbled upon a poem. It’s one of those people like to remember and share from time to time – especially on year-ends, hoping they’ll be remembered for years on end (and yes, call them antiquated, but some people still like to sit and look back through the year and think of the sum of its highs and lows). Well. It’s been coined “Antilamentation” by Dorianne Laux and is a great reminder for those who want to pin “pragmatism” among the words of order to the next 365 days. Good word to put on the book. ;-)

 

Regret nothing. Not the cruel novels you read
to the end just to find out who killed the cook, not
the insipid movies that made you cry in the dark,
in spite of your intelligence, your sophistication, not
the lover you left quivering in a hotel parking lot,
the one you beat to the punch line, the door or the one
who left you in your red dress and shoes, the ones
that crimped your toes, don’t regret those.
Not the nights you called god names and cursed
your mother, sunk like a dog in the living room couch,
chewing your nails and crushed by loneliness.
You were meant to inhale those smoky nights
over a bottle of flat beer, to sweep stuck onion rings
across the dirty restaurant floor, to wear the frayed
coat with its loose buttons, its pockets full of struck matches.
You’ve walked those streets a thousand times and still
you end up here. Regret none of it, not one
of the wasted days you wanted to know nothing,
when the lights from the carnival rides
were the only stars you believed in, loving them
for their uselessness, not wanting to be saved.
You’ve traveled this far on the back of every mistake,
ridden in dark-eyed and morose but calm as a house
after the TV set has been pitched out the window.
Harmless as a broken ax. Emptied of expectation.
Relax. Don’t bother remembering any of it. Let’s stop here,
under the lit sign on the corner, and watch all the people walk by.