Recapitulando

Ou, “dos textos que a gente guarda, mas devia deixar ver a luz”.

Procurando alguma coisa aleatória no meu GoogleDocs hoje – pra auxiliar num texto que estou escrevendo sobre música, ai, música – acabei achando um fragmento velho, datado com uns bons três anos de existência. Fez aniversário dia 19 agora. Tinha cara de texto publicado no blog, mas fui enganada pelas aparências, então resolvi dar um lugar pra ele aqui. Trivial, mas um pouco de saudosismo não faz mal a ninguém.

De novo, os pensamentos fitos no excesso, no descompasso. Só pode ser talvez colocado no passo se transbordar por palavras, e isso, assim como o sentimento que as leva para a tela ou um pedaço rasgado de papel, não é nada novo, embora também não seja nada demais. Mas enfim. Músicas realmente podem te fazer pensar. E muito. Lendo as palavras singelas e cheias de sentido de uma recém-amiguinha, me veio uma favorita de já algum tempo, escondida em algum lugar do meu repertório musical – cuja letra ajuda a resumir bastante bem algumas partes importantes desse penduricalho de ideias que dançam indefinidamente entre as quatro paredes dessa pequena caixola que sustenta essa vistosa cabeleira encaracolada. E, outra vez, uma ‘efervescência coletiva’ de ideias começou a espumar, apertando as paredes da garrafa para sair.

E então precisei concordar com um querido amigo meu quando me apresentou uma ideia meio mirabolante sobre o quanto as músicas podem ensinar várias lições importantes, e do quanto se pode assimilar conhecimento a partir delas, quase tanto e tão substancialmente quanto se faz com os livros. E se todos os livros fossem na verdade enormes letras de música (ou pudessem ser substituídos por elas)? Será que se aprende tanto ou mais com elas, palavras cantadas e tocadas, do que apenas com elas escritas? Talvez elas fiquem melhor gravadas porque se comunicam com a alma, com o hemisfério direito do cérebro? Que função essencial teria o prazer na apreensão das coisas que realmente queremos ou precisamos saber? Será que esse prazer seria uma espécie de contato privilegiado com a realidade que faz nascer pessoas e ideias extraordinárias? Não sei ao certo.

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Uma melodia

Sabe, gente.
É tanta coisa pra gente saber.
O que cantar, como andar, onde ir.
O que dizer, o que calar, a quem querer.

Sabe, gente.
É tanta coisa que eu fico sem jeito.
Sou eu sozinho e esse nó no peito.
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder.

Sabe, gente.
Eu sei que no fundo o problema é só da gente.
E só do coração dizer não, quando a mente
Tenta nos levar pra casa do sofrer.

E quando escutar um samba-canção
Assim como: “Eu preciso aprender a ser só”,
Reagir e ouvir o coração responder:
“Eu preciso aprender a só ser.”

(É, Gil. Hoje você me pegou de jeito, mesmo, hein?)

The times, they are a-changing…

“Família, família. Papai, mamãe e titia”… 

Mais de um mês depois dos últimos rabiscos, uma ótima sensação ainda se sente pelo ar, e é resultado de 20 dias de férias – que tardaram, mas enfim vieram – em que pude me encontrar com a minha pequena-grande irmã, que admiro cada vez mais à medida que o tempo passa, colocar alguns quilos felizes a mais (não, mas não tive a coragem de subir numa balança e constatar se eles estão lá ou não, e prefiro não saber quantos são!), o intestino ainda processando o churrasco consumido – em quantidade suficiente para pelo menos uns seis meses a frente – memórias de muita gente boa que tive o prazer de conhecer e papear, lembranças de dias de muito calor, chimarrão, piscina, caminhadas e cervejas pela praia… e muitas outras memórias boas para guardar com carinho, ainda tenho nas orelhas algumas notas de Lamartine Babo, Carmem Miranda, Sonny Boy Williamson e claro, Bob Dylan. E essa foto aí de cima. Ah, que delícia. :-)

(falou e disse, Sonny Boy. Sábias palavras!)

Bom, depois disso tudo, para fazer jus ao título do post, acho válido ainda trazer à baila algumas ideias que começaram a ser esboçadas enquanto eu estava literalmente viajando, literalmente no ar: entre BH e POA, mais uma vez, e outra vez, com um outro destino que não a capital gaúcha. E a expectativa é que daqui a menos de 365 dias o tom mude e as palavras sejam diferentes. Mas vamos a elas, as tão necessárias “lições que aprendi em 2010”, quase beirando o clichê com seus ares de manual de auto-ajuda:

*Lição #1: a única pessoa que pode se colocar entre você e seu sucesso é você mesmo.
(Oh, man. Sem comentários, só isso.)
*Lição #2: seu tempo, seus recursos e suas emoções são escassos, portanto, precisam ser bem usados e bem aproveitados. NÃO SE DESPERDICE.
(Porque ter potencial não é, de forma nenhuma, garantia de sucesso. Aliás, muito pouca coisa na vida é garantida. É como naquela velha lição de física básica que a gente aprende na escola: a energia cinética só aparece quando deixa de ser potencial. Enquanto a água está parada, é apenas água inerte, nada mais. É estranho e meio amargo o gosto do desperdício, a sensação de que, de tanto armazenar a energia, faz-se com que ela se perca no espaço ao longo do tempo. Acho que faz sentido, sim!)
*Lição #3: FOCO. Porque restringir o campo de opções sempre facilita as coisas na hora da escolha. Sem a menor dúvida.
(Essas coisas óbvias que a gente sabe, mas de tanto saber, se esquece delas. Bem disse o Alain de Botton uma vez que “a arte de viver tem a ver com manter em mente o que sabemos na teoria mas nos esquecemos na prática”. Vai, nem sempre auto-ajuda (ou talvez filosofia clínica?!) é clichê. E confesso: eu gosto, sim, do Alain de Botton). :-P
*Lição #4: a vida da gente é a gente quem faz, é a gente que precisa decidir como ela vai ser, e não as circunstâncias.
(Parece banal, mas faz uma ENORME diferença entre a ficha cair sobre isso ou a ideia ficar lá, armazenada. Parece lição de liberalismo barato, mas não é.)

And man, oh, yes, the times… they are a-changing! :-)

Sleeping tight

You know when friends care by the way they share. :) And today I was given a gift I want to keep tight and think about until I’ve grasped its whole meaning: Stephen Fry talking about some ideas that’ve been circumscribing and orbiting my own ones since I don’t remember when… Surely he wouldn’t have been able to see them when he was 18, and nothing tells me that I can see or put them into practice now, even being a bit older than that. :) But it’s just a matter of trial and error to get there… long live all wise empiricism!