Das coisas que nos escapam

“Como lidar com o que nos escapa?”

Estar em um grupo de pesquisa onde uma pergunta dessas – das “perguntas impossíveis” que a gente usa pra pensar a crise (ou catástrofe) ambiental que atravessamos agora – é, antes de mais, um privilégio. E tem ecoado mais do que eu havia me dado conta de que poderia ecoar, ou ressoar, ou reverberar. Muito mais.

Chegar ao fim de um ciclo importante, que durou três (intensos) anos, tem me colocado essa pergunta bem na frente da cara, de novo. There. In my face. Uma pergunta da qual eu tentei fugir. Mas que me pega pelo pé quando penso no “tempo” como algo que “me escapa” – e algo com o qual é preciso lidar.

Acho que a maior lição do mestrado não foram as páginas de conclusão da dissertação, não foram os insights durante leituras, milhares de conversas ou mesmo a escrita (embora tenham sido essenciais no processo). O que mais aprendi, afinal, é que é preciso reinventar a relação com o tempo para que a relação com a própria vida seja reinventada.

Pode ser no sentido de ter mais foco, de ter mais comprometimento com os projetos e compromissos a que se propõe fazer, a ter uma rotina melhor organizada em redor de objetivos claros, sim. Mas, antes, tem a ver com a própria noção de tempo que se tem e de como se percebe a passagem dele. É o aqui e agora, o tempo que urge por um senso de realidade, de estar presente no presente? É a soma de passados e momentos que leva ao hoje – ou o futuro, sempre incerto? Ou nada disso? É aquilo a que Bergson chamou de “duração”? Não sei. Mas esses aspectos não se anulam – e há como inventar maneiras de lidar com eles. Reinventar o dia, reinventar os momentos, reinventar a nós mesmos, e achar que temos a capacidade de lidar com o tempo, por mais que isso pareça misterioso e assustador. Por mais que se pareça um poço sem fundo, um texto sem fim.

Talvez, afinal, o que tenha aprendido mesmo no fim desses três anos, é o seguinte: há perguntas das quais não se foge. Elas sempre vão atrás de você pra que você olhe pra elas na cara em algum momento. Elas também querem ser reinventadas.

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A tiny glimpse of North America

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So I got my North American christening a few days ago.

E, por incrível que pareça, gostei da coisa toda bem mais do que achava que fosse gostar. Algumas recorrências se fizeram notar por entre as coisas novas. A primeira delas (e, suponho, a mais feliz) foi fazer uma viagem cheia de amigos. Em Toronto, primeira porção de solo (frio) do sub-continente onde pus os pés, consegui – em 90 minutos – comprimir sorrisos, planos e expectativas com um casal de amigos que amo. A última vez que nos vimos foi há pouco menos de um ano, quando ainda moravam na Espanha. A vida dá mesmo voltas. E grandes, algumas vezes.

Na capital americana, depois de dias intensos de trocas de impressões, trabalho e contatos na academia (sempre a academia), me encontrei com outra amiga (que já não via há bem mais tempo) e foi ótimo re-conectar, re-conversar, trocar livros e ideias. E de novo, planos, memórias. Aproveitamos uma tarde ensolarada de domingo para andar pela Tidal Basin, dar um oi para os monumentos e memoriais.

Ao me deparar com Abraham Lincoln, Thomas Jefferson, Martin Luther King Jr., Roosevelt e soldados das guerras do Vietnã e da Coreia – além de figuras lúgubres da Grande Depressão – foi fácil perceber por que os americanos ainda têm em si muito viva a ideia de destino manifesto, presente na cabeça dos colonizadores ingleses antes que eles deixassem o Velho Mundo. Foi como sentir penetrar pela pele os valores que fundaram o país. Estão vivos e vão muito bem, obrigado. Foi um choque perceber a diferença de trato que esses gringos têm com a memória deles e, por outro lado, lembrar como lidamos com a nossa. Temos, sim, a memória curta. Lá eles empenham recursos para não se esquecer da sua, para manter a veia do desbravamento pungindo sempre. Por um instante, acho que consegui captar um pouco o porquê de os americanos serem tão orgulhosos de seu país. E algo do porquê de serem tão competitivos ou profundamente militaristas: a guerra exerce uma função de coesão social importantíssima e, se me permitem, acho que isso tem muito a ver com a raiz protestante da cultura norte-americana: erradicar o mal é uma tarefa moral e um dever dos homens e mulheres de bem (principalmente dos homens de bem). É preciso que exista a dicotomia entre o mal e o bem, us versus them, para que isso funcione. E funciona. Aqui embaixo as coisas não são tão assim separadas em caixinhas – ou talvez a gente use mais caixas para separar as coisas ao invés de apenas duas (obrigada, Mama Africa!). A impressão que tive foi a de que o protestantismo também ajudou a fundar, consolidar e sacralizar valores como democracia (pelo menos como eles a veem lá, um pouco diferente da nossa tradição democrática aqui) e liberdade de expressão. Mas, por outro lado, dessa mesma raiz saiu a crença na meritocracia e, dela, o capitalismo exacerbado pelo qual nossos primos gringos são conhecidos.

A meritocracia, como a gente sabe, é uma falácia. Não sei se existe de verdade nem na cabeça de quem acredita nela (e isso é algo que vai muito além de simpatias com esquerda ou direita), mas, nos EUA, acho que isso é uma realidade. Deus não abençoa quem não trabalha e o destino de quem não trabalha é ser pobre. Não fiquei lá tempo o bastante para observar, mas deu pra ver que Max Weber fez e faz, afinal, muito sentido. Como não ver a afinidade entre protestantismo e capitalismo in your face? Por outro lado, acho que fica visível também de onde surgiu a megalomania, o capitalismo selvagem, enfim, a Times Square. A riqueza antes era bênção de Deus (e não usura ou pecado, como na nossa tradição franciscana católica) e hoje, acho que continua sendo um dever moral. Acho que a necessidade de ganhar cada vez mais é uma anomalia desse tipo de valor. Mas realmente é preciso se passar mais que uma semana e meia num lugar para perceber algumas coisas (principalmente as que a gente julga ser óbvias).

Enfim. A gente fica viajando nessas coisas, mas é importante não deixar de ‘viajar na viagem’ – tentar estar cem por cento presente onde se está. MindFULLness.

Nova York se apresentou pra mim primeiro nas ondas de uma banda septuagenária de Dixie Land que tive a sorte de presenciar na NY Public Library for the Performing Arts. Veio depois nas notas de outra banda de jazz tocando numa tarde aleatória na Washington Square e, finalmente, se mostrou hipnótica no palco do Village Vanguard nas notas do piano de Kenny Barron.

Se mostrou inspiradora através do Metropolitan e do Natural History Museum. Foi bom ter companhia para versar sobre o papel e a função da arte, pós-modernismo, identidade cultural. Repensar conceitos. Esgotar argumentos. E poder ser uma das últimas pessoas a sair do museu sem sentir culpa. Melhor que ter amigos que compartilham gostos em comum é poder fazer o teste e provar o fato de que existem interesses em comum.

Nova York também se mostrou sensual (e aqui me sinto dando uma de Ítalo Calvino) em seus cheiros, gostos e cores. Os sabores da Índia, da China, do México e da Tailândia se misturaram à diversidade do orientalismo de China Town, ao mellow spirit de Little Italy, a realidade crua do Harlem e ao cool de Astoria, com um toque de casa de chá hip e um gostinho de biergarten.

A cidade me deu sua face assustadora (e dinâmica) pelas voltas no grande centro, em seu cenário ensandecido pós-futurístico megalômano à moda de Blade Runner na Times Square (ufa! Haja fôlego até pra descrever isso). E foi um soco no estômago em Wall Street (onde, em frente à Bolsa de Valores, tive o prazer de dar uma cuspida e limpar os sapatos).

Mas também se mostrou apaixonante por entre os cabos da Brooklin Bridge ao pôr-do-sol (e me lembro da lua linda que fazia naquele fim de tarde) e nas ondas do rio Hudson passando por debaixo do ferry para Staten Island.

E fez me sentir a menina mais sortuda do mundo por causa das companhias com quem tive o prazer de dividir refeições, vinhos, cervejas, conversas, impressões, planos, músicas, abraços e olhares. De Toronto a Nova York. Além de ter sido objeto de uma hospitalidade imensa (e não vejo problema em usar ‘objeto’ como termo aqui). Sortuda por ter tido a oportunidade de rever amigos que não via há algum tempo e, quem sabe, ter feito outros. De ter tido conversas interessantes e poder falar o que penso sem medo de parecer chata ou maçante demais, cansando a beleza e minando a paciência do meu interlocutor (e essas coisas acontecem).

Enfim. Não tenho como não ter gostado de um país que me recebeu tão bem. Com seus prós e contras, é claro, aspectos que maravilham e enojam, mas as pessoas são assim, as culturas são assim. Mas ainda foi muito pouco tempo para ter insights mais acertados sobre a cultura norte-americana. E foi uma experiência humbling também: não basta conhecer e ter um bom domínio da língua do lugar pra onde se vai – sacar as sutilezas exige muito tempo de observação e prática. E não é coisa para iniciantes. A comunicação, afinal, tem vários níveis, até chegar ao incomunicável. Foi um pouco chocante perceber que falta mais do que eu imaginava para entender certas peculiaridades de comunicação. Mas também faz lembrar (e ainda bem) que não é possível se diluir completamente em uma outra cultura, tendo sido criada num determinado lugar (não sei quanto às third culture kids – mas isso é papo pra uma outra conversa).

No final, me sinto feliz por poder desenhar a cidade e a experiência com palavras (e algumas fotos, de longe muito menos numerosas que as frases e caracteres que usei). Cada um fotografa como pode – na falta de talento com a câmera, a gente usa o que vem à mão. :-)

Um bookmark

Sobre o fenômeno dos rolezinhos, que andaram acontecendo e sendo reprimidos em São Paulo, uma análise válida (e séria) que vale a pena ler (a propósito, obrigada, Eliane Brum). A entrevista com o antropólogo Alexandre Barbosa Pereira, da Unifesp, aponta que o problema vai além da discriminação social ou racial – passa pela reivindicação do consumo como condição para a cidadania. As classes média e alta disseram o tempo inteiro para os pobres que o bom é consumir (não importando qual seja o custo ou quem paga por isso, no fim das contas). Agora que eles querem entrar no mundo do consumo (e o funk ostentação é lido, por vezes, como um sintoma disso), são barrados – pela polícia, não apenas no mundo simbólico, com preconceitos, chacotas e gente olhando de soslaio sobre suas pizzas de calabresa com catupiry. Uma coisa a se pensar.

Sobre o assunto, também, vale a pena trazer à baila o mais novo clipe da Valesca Popozuda, “Beijinho no Ombro”. Também exalta a ostentação e coloca a protagonista do clipe como a rainha do Funk, ‘esbanjando riqueza’. Não acho que as caras viradas para o kitsch disso tudo se resumam apenas ao preconceito social e à não-aceitação de uma ‘apropriação indevida’ que Valesca faz de elementos que não pertencem à sua realidade: não é só achar que pobre é pobre e tem que se contentar com a sua posição de subserviência subalterna e o que escapar desta ordem não é bem-vindo. É uma leitura muito simplista da coisa toda. Tem muita coisa pra se pensar sobre indústria cultural aí, das apropriações e mash-ups que se combinam o tempo inteiro gerando elementos novos, do excesso de elementos, de cores, das batidas, do exagero  das letras. Me peguei pensando que o clipe é brega, sim, mas me questiono sobre o porquê de achá-lo brega, mesmo achando toda essa breguice uma coisa genial (lembram da Gaby Amarantos?). É brega, mas é demais. Outra coisa pra se pensar sobre.

Vinicius, um “cat” de primeira

Imagem: Companhia das Letras

Sem precisar me rasgar de elogios ao poetinha, mas esse livro, em formato de um EP antigo, é uma delícia, de se ler numa sentada. É uma reunião de textos e poemas que ele escreveu pra revistas como Flan e Sombra enquanto ocupava seu primeiro posto diplomático, em Los Angeles, entre 1946 e 1950. Na escrita, não deixa dúvidas de que era um “cat” (ou fã incondicional de jazz, na gíria dos EUA dos anos 40) que entendia do assunto, contando as coisas daquele jeito gostoso carioca de ser.

O livro é datado, sim, mas leve, também, e irônico, mais ainda. E mostra, principalmente, uma percepção não apenas sobre o jazz, gênero pelo qual Vinicius era aficionado, mas muito sobre a vida dele enquanto vice-cônsul brasileiro na terra de tio Sam, onde andava sempre bem acompanhado. Sua amizade com gente do calibre de Sarah Vaughan e Orson Welles deve ter facilitado bastante a convivência no meio daquela “sensaboria” da vida americana em fins de anos 40 e inicio de 50. A maioria dos jazzmen não fazia parte daquele clube de gente “self-satisfied” com que ele se deparou ao longo da sua estadia: era gente cuja cabeça estava sempre fervendo com novas notas e novas melodias, e, não raro, estavam muito à frente dos preconceitos de uma sociedade segregacionista que respirava o mccartismo. O jazz dava fôlego para nadar até a superfície daquilo tudo, respirar e voltar (imagino o quanto de oxigênio não deu pra absorver numa jam com Louis Armstrong e Benny Goodman no meio!).

Falando em segregacionismo, é particularmente interessante o texto de abertura, que fala sobre a origem do gênero. O negro assume o papel central na mistura e com ele nasce o improviso, fruto da adversidade em que vivia, e infelizmente essa parte da história a gente também conhece bem. “Desde a sua chegada, o negro é o mais ofendido e o mais humilhado dos habitantes da América”, lembra o poeta. De ponta a ponta do continente. Privados do direito de ser, de estar, de conversar entre si.

Proibidos de falar, cantavam. Cantando começaram a se comunicar uns com os outros. Todo um código vocal nasceu dessa limitação da necessidade de falar, hoje perdido, mas cuja história chega até nós. Foi este um dos sinais de revolta que nunca mais abandonaria o povo negro nos Estados Unidos. Quanta conversa de amor, quanta senha de aviso, quanto plano de fuga não deve ter corrido a pauta invisível estendida sobre o algodoal em flor! Que poder de inflexões novas não se devem ter acrescentado à voz crestada de sofrimento e revolta, nos solos, duetos e coros campestres!

E por aí vai a história, que se desenrola começando por uma New Orleans que juntava gente de todo tipo e de todo canto. Deu no que deu. Legal também são alguns paralelos, bem pontuais, que Vinicius traça com o samba daqui debaixo, com a bossa nova. Ou a sua “definição” de jazz ou suas farpas e elogios a jazzmen da época. A ideia não é fazer um tratado sobre o assunto, é juntar paixão em prosa e poesia num livro bonito graficamente, ricamente ilustrado como um álbum de fotos.

E sim, ter o poetinha como guia nessa pequena viagem é uma delícia.

Púpik – Fuga #2

O bom de encontrar coleguinhas do mestrado é que sempre rola uma sugestão de algo interessante/curioso pra se fazer. Ontem foi a vez de “Púpik – Fuga #2”.

A peça tem uma temática interessante, sem dúvida. Mas deixa na boca aquele gosto de obra inacabada, de algo ainda-por-vir-a-ser. Mas deu pra fazer muitas viagens (desculpem o pleonasmo) enquanto a coisa toda se desenrolava. Logo no início, dá aquela impressão de que pode se mudar o lugar, pode-se até perder a identidade, mas no fundo somos os mesmos – duas viajantes deixam seu lugar de origem, de conforto, para mais tarde se esbarrar na surpresa de perceber que ambas estão sob o mesmo figurino – jogo engraçado que me lembrou o Playtime de Tati, só que virado ao avesso: os lugares mudam, mas as pessoas são fundamentalmente as mesmas. Enfim.

Púpik (“umbigo”, em hebraico) é uma busca pela identidade, que só pode ser encontrada quando nos confrontamos com as memórias, com o passado, com os mortos de um tempo em que não vivemos, mas que habitam a nossa vida invisivelmente por correr em nosso sangue. Pelas histórias de família. As delas – de Yael Karavan e Naomi Silman – que são bem verossímeis mas chegam a doer um pouco porque expõem de uma forma muito crua e muito sincera a história de vida e da linhagem delas. Desnudam a própria identidade diante do público presente revisitando um passado de vozes, de músicas, de objetos, de roupas. Histórias que normalmente se guardam em diários de fundo de gavetas, trancafiados em algum porão da memória. E, na peça, pesam. Muito e visivelmente. Esmagam as personagens. Com certeza foi preciso muita coragem para abrir e desempoeirar essas narrativas – que dóem. Ponto pra elas.

Mas, por outro lado, talvez a ação pudesse se ater às partes mais importantes e evitar as partes sem roteiro aparente. Ou então, não necessariamente cortar, mas ao menos diminuir. Nada contra improvisação nem contra experimentação, longe disso. Mas é meio desconfortável ter a sensação de que colocaram duas atrizes no palco e elas seguem um script como “cena 2: diálogo improvisado por meia hora – para falar sobre absolutamente nada”. E pra falar de como Yael Karavan é inteligente e interessante. Nisso também acho que pecaram um pouco: certeza que a cenógrafa e diretora israelense é interessante. Interessantíssima. Mora há uns 15 anos em Londres (depois de Itália, França e Alemanha), enche pelo menos uma mão se contar os idiomas que fala e, mais que isso, trabalha com arte. Pensando a arte. Experimentando a arte. Só isso já seria pretexto pra uma sentada demorada em um bate-papo de café. Mas Naomi Silman também é uma pessoa-personagem interessante em si (além de ter morado em Israel e na França e ser “es-tran-gei-ra”, também de raízes judias), mas fica meio apagada e um pouco sem ação e parece apenas reagir à ação de Karavan.  Ela também trabalha a arte, pensa a arte. Mas faz isso em terras tupiniquins, longe de sua Londres natal. O que devia render uma apresentação para ela por si só, como fez com Yael nas primeiras cenas.

Foi interessante visitar passados em Português, Francês, Portunhol, Italiano e Hebraico (por intuição e por lógica. Não sei como se diz “oi” na língua de Shimon Peres). Aber ich habe kein Deutsch gehört. O que talvez fosse um contrassenso (Deus do céu, que horrível ficou essa palavra depois do acordo ortográfico!), já que estamos falando de um passado habitado por israelenses e lituanos. É um passado não compartilhado, obviamente, mas que acha identidade e expressão entre as duas atrizes – que acabam compartilhando dele por contar suas histórias e ver que até coincidem geograficamente. Essas histórias se mesclam e acabam por gerar uma identidade e uma empatia umas com as outras no fim. Achei interessante, mas eu obviamente não poderia sentir a mesma empatia – faltou um pouco de africanidade. Minha veia africana lateja bem mais forte que a européia, mas claro, isso é coisa minha e não dá pra pedir que coloquem uma afrodescendente na peça pra fazer com que ela comunique mais. Afinal de contas, estão contando a história de seus umbigos.

Ao fim e ao cabo, somos todos estrangeiros uns aos outros apenas convivendo sob um mesmo espaço e mesma língua. Só é pena faltar a paciência e a curiosidade de abrir gavetas empoeiradas e descobrir que histórias existem lá dentro. Mesmo que pesem e incomodem às vezes. De novo: ponto para Púpik.