Das coisas que nos escapam

“Como lidar com o que nos escapa?”

Estar em um grupo de pesquisa onde uma pergunta dessas – das “perguntas impossíveis” que a gente usa pra pensar a crise (ou catástrofe) ambiental que atravessamos agora – é, antes de mais, um privilégio. E tem ecoado mais do que eu havia me dado conta de que poderia ecoar, ou ressoar, ou reverberar. Muito mais.

Chegar ao fim de um ciclo importante, que durou três (intensos) anos, tem me colocado essa pergunta bem na frente da cara, de novo. There. In my face. Uma pergunta da qual eu tentei fugir. Mas que me pega pelo pé quando penso no “tempo” como algo que “me escapa” – e algo com o qual é preciso lidar.

Acho que a maior lição do mestrado não foram as páginas de conclusão da dissertação, não foram os insights durante leituras, milhares de conversas ou mesmo a escrita (embora tenham sido essenciais no processo). O que mais aprendi, afinal, é que é preciso reinventar a relação com o tempo para que a relação com a própria vida seja reinventada.

Pode ser no sentido de ter mais foco, de ter mais comprometimento com os projetos e compromissos a que se propõe fazer, a ter uma rotina melhor organizada em redor de objetivos claros, sim. Mas, antes, tem a ver com a própria noção de tempo que se tem e de como se percebe a passagem dele. É o aqui e agora, o tempo que urge por um senso de realidade, de estar presente no presente? É a soma de passados e momentos que leva ao hoje – ou o futuro, sempre incerto? Ou nada disso? É aquilo a que Bergson chamou de “duração”? Não sei. Mas esses aspectos não se anulam – e há como inventar maneiras de lidar com eles. Reinventar o dia, reinventar os momentos, reinventar a nós mesmos, e achar que temos a capacidade de lidar com o tempo, por mais que isso pareça misterioso e assustador. Por mais que se pareça um poço sem fundo, um texto sem fim.

Talvez, afinal, o que tenha aprendido mesmo no fim desses três anos, é o seguinte: há perguntas das quais não se foge. Elas sempre vão atrás de você pra que você olhe pra elas na cara em algum momento. Elas também querem ser reinventadas.