THAT’s what I mean

Glenn Greenwald entrevistado por Alberto Dines. Caso Snowden, espionagem do Brasil, seus planos pós-Guardian. Uma das coisas mais legais que vi por aí nas últimas semanas. Vale a pena ver e rever.

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Diminuindo uma pegada que já calça 35

Tenho pés pequenos. Calço 35 e já me perguntaram sobre como consigo me “equilibrar sobre meus pés”. Nem é preciso resposta pra isso. Basta ver que quem tem menos de 1,60m não precisa de muito mais que um delicado par de 35 pra conseguir andar.

Esses dias me caiu no colo um artigo curto no Mashable com especialistas contando sobre o que fazem para diminuir seu impacto – e calçar menos que 35 no que diz respeito à sua pegada de carbono. Uns fazem coisas muito simples, como não deixar nada fora de uso plugado na tomada, andar de bicicleta e trocar equipamentos movidos a gasolina por elétricos. Deixar de andar de avião e se tornar vegetariano são medidas um pouco mais radicais, digamos. Sou adepta das atitudes muito simples e não muito das radicais. A criação de gado de corte pode ser responsável por quase 20% das emissões de CO2 na atmosfera e pode gerar desmatamentos homéricos na Amazônia. Mas a carne vermelha foi decisiva na nossa evolução para Sapiens Sapiens, por outro lado. Enfim, acho que dá pra ser sustentável, sim, sem ser vegetariano. Num mundo ideal, as empresas teriam mais responsabilidade ambiental, as políticas seriam nesse sentido seriam mais assertivas e menos flexíveis e a diminuição massiva na demanda por carne teria um impacto na produção e na oferta. É uma questão de aprender a lidar com o desejo – individual e coletivamente. Nada mais além do nosso desejo continua a ferrar com o mundo. Dá pra não comer carne todos os dias. Dá pra apoiar a agricultura local – procurar pessoas que plantam alguma coisa e comprar delas (se você não tem tempo de plantar sua própria comida, como é meu caso). Dá para não ter um carro: morando numa bolha onde é possível se dar o luxo de resolver tudo a pé ou de bicicleta – ou em São Paulo, onde é difícil achar estacionamento e se tem o transporte público como opção viável. Dá pra ser bem mais racional no uso dos recursos – água, energia elétrica, sua própria energia – e dá para não desperdiçar tanta comida, tempo, dinheiro. Dá pra comprar menos coisas, menos roupas, menos papel. Escutar mais e observar mais.

Como uma criança urbana e classe média-baixa, imaginava que a esta altura já estaria morando em Nova York, trabalhando para alguma mega corporação e dando voltas pelo Central Park umas duas ou três vezes por semana (provavelmente de bicicleta). Um sucesso de público e crítica. Mas não tem salário que possa comprar a beleza (e, por que não, a paz) de se poder ter suas próprias decisões. De ser o timoneiro do próprio barco. Nem que esse barco vá para o mato e te faça pensar na sua pegada de carbono e essas coisas. Dá para se equilibrar muito bem sobre um 35, pensando bem.