Um bookmark

Sobre o fenômeno dos rolezinhos, que andaram acontecendo e sendo reprimidos em São Paulo, uma análise válida (e séria) que vale a pena ler (a propósito, obrigada, Eliane Brum). A entrevista com o antropólogo Alexandre Barbosa Pereira, da Unifesp, aponta que o problema vai além da discriminação social ou racial – passa pela reivindicação do consumo como condição para a cidadania. As classes média e alta disseram o tempo inteiro para os pobres que o bom é consumir (não importando qual seja o custo ou quem paga por isso, no fim das contas). Agora que eles querem entrar no mundo do consumo (e o funk ostentação é lido, por vezes, como um sintoma disso), são barrados – pela polícia, não apenas no mundo simbólico, com preconceitos, chacotas e gente olhando de soslaio sobre suas pizzas de calabresa com catupiry. Uma coisa a se pensar.

Sobre o assunto, também, vale a pena trazer à baila o mais novo clipe da Valesca Popozuda, “Beijinho no Ombro”. Também exalta a ostentação e coloca a protagonista do clipe como a rainha do Funk, ‘esbanjando riqueza’. Não acho que as caras viradas para o kitsch disso tudo se resumam apenas ao preconceito social e à não-aceitação de uma ‘apropriação indevida’ que Valesca faz de elementos que não pertencem à sua realidade: não é só achar que pobre é pobre e tem que se contentar com a sua posição de subserviência subalterna e o que escapar desta ordem não é bem-vindo. É uma leitura muito simplista da coisa toda. Tem muita coisa pra se pensar sobre indústria cultural aí, das apropriações e mash-ups que se combinam o tempo inteiro gerando elementos novos, do excesso de elementos, de cores, das batidas, do exagero  das letras. Me peguei pensando que o clipe é brega, sim, mas me questiono sobre o porquê de achá-lo brega, mesmo achando toda essa breguice uma coisa genial (lembram da Gaby Amarantos?). É brega, mas é demais. Outra coisa pra se pensar sobre.

A reminder

Just now, I stumbled upon a poem. It’s one of those people like to remember and share from time to time – especially on year-ends, hoping they’ll be remembered for years on end (and yes, call them antiquated, but some people still like to sit and look back through the year and think of the sum of its highs and lows). Well. It’s been coined “Antilamentation” by Dorianne Laux and is a great reminder for those who want to pin “pragmatism” among the words of order to the next 365 days. Good word to put on the book. ;-)

 

Regret nothing. Not the cruel novels you read
to the end just to find out who killed the cook, not
the insipid movies that made you cry in the dark,
in spite of your intelligence, your sophistication, not
the lover you left quivering in a hotel parking lot,
the one you beat to the punch line, the door or the one
who left you in your red dress and shoes, the ones
that crimped your toes, don’t regret those.
Not the nights you called god names and cursed
your mother, sunk like a dog in the living room couch,
chewing your nails and crushed by loneliness.
You were meant to inhale those smoky nights
over a bottle of flat beer, to sweep stuck onion rings
across the dirty restaurant floor, to wear the frayed
coat with its loose buttons, its pockets full of struck matches.
You’ve walked those streets a thousand times and still
you end up here. Regret none of it, not one
of the wasted days you wanted to know nothing,
when the lights from the carnival rides
were the only stars you believed in, loving them
for their uselessness, not wanting to be saved.
You’ve traveled this far on the back of every mistake,
ridden in dark-eyed and morose but calm as a house
after the TV set has been pitched out the window.
Harmless as a broken ax. Emptied of expectation.
Relax. Don’t bother remembering any of it. Let’s stop here,
under the lit sign on the corner, and watch all the people walk by.