A post-it on the art of writing

When you read a good piece of writing and you want to keep it close to your eyes or simply don’t want to lose track of it, maybe a good thing to do is also (maybe) the simplest thing to do: write something down about it, highlit it, staple a post-it on it ‘till you’ve got it swallowed down. [And when you think it’s really gold, please share it]

As I was reading some notes on some very touching (and useful) Hemingway’s advice on writing, just got caught with stuff to think for a good deal of days ahead. It definitely deserves a highlight. You might know how to be clear and concise, you might know how to make the good questions to get a good story. But that’s never enough (and I don’t see a reason why it should be) and you might start worrying that being good enough is not good enough. You want your voice to stand out from the crowd, you want to do something meaningful, you want people to see how refined your skill is, how long and how hard it took you to craft it. And how you still painstakingly work on it. And then you might get it a little wrong, lose balance and become what in this excerpt Hemingway qualified as an owl. “A writer who appreciates the seriousness of writing so little that he is anxious to make people see he is formally educated, cultured or well-bred is merely a popinjay”. And become a lover of the epic. Of the hazy, complicated, mistifying words in complicated structures of an epic. And then a good thing to remember is that

“All bad writers are in love with the epic”.

Not the epic as the epic itself, but the grandeur of the thing, the necessity of building imaginary castles to adorn your art. And it makes a lot of sense from this what he said. And what he wrote. He could portray the epic without falling bewitched by it. Maybe he needed not to be in love with it in order to get us this sense of epic in his writing. Something to bear in mind.

And another thing, maybe as important as keeping your feet on the ground is, of course, showing up for the work. That sieves job from hobby. Deadlines in this sense are a great reminder of what’s the difference from one to another, but the good thing is not always to rely on them. Ideas live better when they have space to breathe and don’t have to be smashed or trimmed by tight deadlines. And you can usually gild them by powdering a little with some gold you find along the way, learning from who’s been there. But the best thing is to keep them moving. After all, ideas have a life by themselves and like to walk, run and fly over rooftops.

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Vira, vira, vira…

Dava pra ter visto muito mais coisas na Virada esse ano, eu sei. Mas quando se tem mais coisas pra fazer do que opções de coisas pra ver, os slots apertados na agenda acabam gerando conflito. O espaço entre os meus tá mais estreito do que o intervalo entre pousos e decolagens no aeroporto de Guarulhos. É foda. No entanto, não nego que escolhi bem o que vi: no meio do caminho pra começar com os Surdomundo, uns sambas-surpresa de presente. Tava tão bonito que não tive como não ficar. Pra encerrar a noite com uma banda de BH que não vejo tocar desde que eles tinham… sei lá, uns sete integrantes. O som, que vai mudando aos poucos, continua bom. Depois a gente lê o jornal no outro dia e acha que teve sorte por não ter sido vítima de nenhum arrastão, de não terem levado nem a mochila nem o celular da gente. E fica sabendo que o prefeito participou do negócio lá, no meio do povão mesmo. Que camarote vip, que nada. Legal fazer um bom uso da ideia nascida na gestão anterior. Torço pra que a Virada se torne um movimento em que as pessoas ocupem mesmo as ruas, ocupem a cidade e se misturem nela – e não que a iniciativa se torne um trunfo eleitoreiro, uma carta na manga nada escondida pra ser usada num momento mais oportuno. Que a paulicéia se vire mais vezes!

Aleatórias

Aleatórias nr. trocentoseblablabla, depois de mais trocentoseblablabla acontecimentos.

Aleatória #1: Depois desse fim de semana, também posso me juntar ao coro que diz que “Somos tão jovens” está um pouco aquém das expectativas. Há mesmo quem diga que o filme é uma completa merda, mas não acho que dê pra resumir a coisa por esses termos, não é bem por aí. Mas não achei que eu fosse concordar com uma amiga que resumiu o filme como “o maior coito interrompido que você vai ter na vida”. Coisa de fã, talvez. A ideia era passar uma impressão sobre o que era ser Renato Russo com seus vinte e bem poucos anos – e isso Antônio Carlos da Fontoura conseguiu. O que faz do filme algo bem-bolado, mas talvez não tão bem conseguido: passa rápido demais por alguns temas (tudo bem que o filme era pra falar do Legião, mas custava entrar um pouquinho mais no Plebe Rude? Qual era mesmo a doença que deixou o Renato Russo com 3 pinos numa das pernas? e a irmã do Renato Russo, eles não tinham quase relação nenhuma mesmo? O que é que ele tanto lia quando tava de cama – e como isso influenciou a composição dele?), inclusive na parte sexo, drogas e rock’n roll. Dos três, Fontoura prefere ficar com o último elemento, possivelmente pra não bagunçar a cabeça da audiência adolescente – e não escandalizar os pais, claro. Também acho que o filme passa rápido demais pela própria Turma da Colina – mas pelo menos deu pra ter uma ideia do quanto o rock de Brasília foi fértil e queria ser subversivo, uma arte jovem que não aguentava a gerontocracia de uma ditadura capenga. Mas bem viva. Achei meio forçada a construção de muitos diálogos (não precisava colocar frases de músicas no meio deles, precisava?), mas sim, acho que Thiago Mendonça mandou muito bem no papel principal. E ah, é um filme com o qual é gostoso cantar junto. Mas certeza que se eu tivesse 14 anos curtiria muito (muito!) mais.

Aleatória #2: Pausa. Esse fim de semana descobri que oito também é um número quadrado. Se pá, até mais que nove. Não é o original, mas tá impagável!

 

Aleatória #3: Mas, mais que demais foi ver minha sobrinha de novo, dar aquele abraço nas muitas mães que estão em BH agora mesmo e ver que as coisas caminham a passos largos. Sou uma tia babona mesmo, admito, e cada vez mais família. Dessas que não curte passar vontade nem saudade – com que tenho cada vez mais dificuldade pra lidar cada vez que escuto um “tia Meeeeghiiieee!” do meu bichinho favorito. Quem diria, hein.

Aleatória #4: Outro “demais!” aleatório é ter como próxima pauta a relação da caatinga e a arte. Me lembra que vai ser preciso mais que lembrar dos olhares da Baleia que Graciliano Ramos faz sair das páginas de “Vidas Secas” – e que eu ainda não li o clássico (ou básico?) “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Ou que vou ter que prestar mais atenção aos acordes de Luiz Gonzaga. Literatura de cordel, rabeca, repente. Ariano Suassuna com a sua “Pedra do Reino” e o nada menos que genial (e quase óbvio) “Auto da Compadecida”. Vai ser boa, a coisa.

Fechando a chuva de aleatoriedades, o lembrete menos aleatório de todos. Ontem a Lei Áurea completou 125 anos. Só pra lembrar que no Brasil o trabalho escravo continua muito bem, obrigado. Temos mais essa manga pra chupar. Será que ela vai continuar dura e crua daqui a 25, 50 anos, daqui a mais um século?