Leituras e re-leituras from outer space

É engraçado pensar nos caminhos a que a vida leva e nas voltas que ela dá. Às vezes dá aquela sensação de quando você acha que tem as malas prontas para ir a Tóquio e acaba aterrissando em Sydney, mas acha o “desvio” lindo, uma delícia, curte muito o destino novo e se diverte horrores. Ou talvez seja tão curioso quanto conhecer o metal através dos acordes de um violoncelo:

Ou talvez seja tão engraçado quanto ter a certeza de que seu futuro está ligado ao Jornalismo Cultural, e no meio do caminho, blam!, você se depara com a Ciência através da sua curiosidade diletante pela Filosofia. E acha tudo isso o máximo, e não necessariamente pensa que as coisas precisam ser separadas assim, em caixinhas rotuladas com prazo de validade: dá pra misturar os elementos e fazer um híbrido interessante – talvez uma receita que dê bem mais certo do que os quitutes que se queimam ou se explodem em meio a aventuras culinárias não-supervisionadas de adolescente.

De fato: os laços entre ciência, cultura e comunicação se mostram como um objeto interessantíssimo de estudo e vale a pena dar uma olhada mais de perto para entender um pouco melhor por onde e de que formas esses elementos podem se combinar – melhor dizendo, algumas formas que usam para dar liga à massa.

Como a percepção da ciência e os modelos de comunicação científica foram mudando ao longo dos anos? A pergunta aponta um caminho entre vários, e é legal revisitar algumas bases para ampliar a ideia sobre o assunto e jogar um pouco mais de luz sobre ele.

A ciência antes era estritamente ligada ao desenvolvimento, tinha-se a ideia de que pesquisa básica gerava a aplicada e todo mundo se beneficiava disso: o “Bodmer Report”, Public Understanding of Science, expressa bem essa visão. E também o “Science, the Endless Frontier“, resume bastante bem a ideia. Tanto Walter Bodmer quanto Vanevar Bush (cuja ideia de hipertextualidade foi um ‘insight’ sobre o www bem antes de Tim Berners-Lee) acreditavam que a ciência era o motor do progresso. O que vem depois disso é um longo caminho que – e espero não estar falando bobagem- se inicia quando a modernidade começa a “se estranhar” e questionar seus próprios valores. Ponto pra uma longa discussão. Bingo.

E a comunicação de ciência nisso tudo? Há várias ideias e modelos que tentam dar conta de como isso funciona. Para citar dois: Bruce Lewenstein e seus quatro modelos de comunicação científica, bem interessante por levantar pontos fortes e críticas à própria proposta, vendo-a como um processo e não um produto; e Carlos Vogt com sua espiral da cultura científica, que não isola a divulgação como atividade em si mas como parte importante da vida cotidiana e que acontece em vários níveis.

E a Internet? Mônica Macedo-Rouet levanta uma questão muito pertinente na época em que o texto foi escrito e que continua o sendo até hoje: será que ter mais fontes significa, por consequência, que elas sejam melhores? E a checagem da informação? Será que se faz um jornalismo melhor (não só em ciência) por se ter ferramentas melhores? Bom, talvez não.

Só acho pena escrever a conta-gotas. Mas aos poucos, o balde se enche.

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