On Beauty

How can one conceptualize beauty? How can one seize perfection within imperfection so it can be easily perceptible and understood?

Beauty.

The poetry lies within the eyes of that who observes: nothing is intrinsically beautiful unless you attribute some beauty to it.
Nothing is intrinsically beautiful unless there are eyes to hold grip of the moment when beauty glistens from what’s seen. Without them, beauty would dwell in a most pure and obscure void.

Maybe the only thing which is intrinsically beautiful is life itself. After all, being alive is the minimum condition by which anything whatsoever can see or be seen.

Then again: life is beautiful.
And maybe it makes more sense than what we normally account it for.

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Lembranças do espaço

Há notícias deliciosas que têm o poder de alegrar o dia e a noite de muita gente. Principalmente em se tratando de textos sobre memórias das quais a gente gosta. Voltou ao ar um blog para o qual colaborei ainda em Portugal, o da Noite dos Investigadores de 2008. É uma das lembranças que guardo com mais carinho porque o evento esteve no embrião de uma perspectiva com Jornalismo Científico, tema com que fui me familiarizando e sobre o qual adoro aprender até hoje. Não imaginava ainda que seria uma das linhas definidoras do meu futuro.

Bom, o interessante é que cada blogueiro-cientista tem o seu perfil para se dar a conhecer ao público e em seus posts tinham a liberdade para postar sobre curiosidades de dentro e fora do laboratório. Entrei meio como quem queria espiar a coisa e no fim a experiência foi super bacana. Por fim, os posts (que não foram muitos mas foram feitos com muito esmero) estão reunidos aqui e de todos, o que mais gosto é sem dúvida o que fala sobre algumas das notas, imagens e lembranças mais memoráveis que tenho do Porto, amalgamadas num misto mágico de arte e ciência.

E espero que venham mais escapadas poéticas e interessantes como esta.

Textículo

O texto é um entretecido de palavras que outrora foi um emaranhado de ideias.
Elas se desapertam, se mexem, sentem-se como se precisassem desesperadamente desenredar-se umas das outras: querem ser um novelo.

É porque sabem que o texto, ao ser tecido, também tece a quem o está a tecer.

The question, always the question

Incrível. A vida é mesmo, a cada dimensão que se desdobra à nossa frente, um grande manual de comunicação, cujas lições vêm em partes pequenas. Mas algumas são sem dúvida mais difíceis que outras. Talvez o que custa mais é descer do alto do próprio ego e admitir que não deu para entender, tentar recapitular e perceber melhor as coisas. Ou talvez achemos que não há tempo o suficiente para isso e é preciso ir logo à outra lição, esperando que seja mais fácil – mesmo que saibamos que nunca se aprende a multiplicar antes de se saber somar, mesmo sabendo que não vamos entender nada. 
Mas, como dizem: o importante é anestesiar a dor. 
E o importante é sempre o melhor?

Um pouco do que vi, ouvi e li nessas férias (II)

O que ouvi: The King of Limbs (Radiohead, Reino Unido, 2011) e Finisterra (Mägo de Oz, Espanha, 2000).


Lotus Flower, o hit de The King of Limbs

Radiohead e muito barulho, claro. A cada lançamento, uma sacada diferente. Faz gostar ainda mais da banda. Depois de leiloar o ótimo In Rainbows pela web, a novidade da vez é o “newspaper album”, que contém “many large sheets of artwork, 625 tiny pieces of artwork and a full-colour piece of oxo-degradable plastic to hold it all together”, de acordo com a definição do hotsite do álbum. O assunto já deu muito o que falar, e algo que realmente queria era pôr a mão num desses e checar com as pontas dos dedos o que se trata. Quem sabe de presente de aniversário, talvez. Bom, mas o fato é que não distoei muito do coro de fãs que, ao escutar King of Limbs, perceberam que as notas de In Rainbows ainda estão agarradas nas orelhas. What’s the next big thing? Talvez não foi dessa vez.

O álbum é bom – afinal de contas, é Radiohead – mas talvez seja a ordem das músicas que não ajudou muito. Soa meio artificial, forçado até, começando com as notas meio duras de “Bloom” (meio Kid A-like) e vai ficando mais suave à medida que se aproxima do meio e do fim. O tema das letras é aquela coisa mesmo, meio down, blue, uma vez Radiohead, sempre Radiohead – também não esperava que o Thom Yorke compusesse sobre o céu azul de Londres (?). Mas já vi gente falando que existe uma cisão meio brusca entre as 4 primeiras e as 4 últimas faixas, e faz muito sentido. Mas, experimentando a teoria da Ana Pimentel que saiu n’O Esquema, percebi que afinal de contas, talvez o cansaço do som esteja mesmo na ordem da coisa. “Que sacada ge-ni-al!”, pensei. Mas acho que ainda vou precisar escutar mais algumas vezes as faixas na des-ordem para concluir algo, ter alguma iluminação. Por enquanto, uma coisa é certa: me encontro em total #lotusflowerfeelings agora. Por que a gente escuta, pensa e às vezes se apropria das palavras alheias quando não as consegue escrever.


La Danza del Fuego, uma das letras mais bonitas de Finisterra

Na verdade, esse não foi exatamente nas férias, foi uma indicação que tive antes que elas chegassem. É uma das várias vantagens de se conhecer pessoas que escutam coisas completamente diferentes daquilo que a gente está acostumado – e o melhor, conseguir apreciar porque se trata de algo realmente bacana (de se ouvir, no caso). Foi então que reparei no Folk Metal pela primeira vez. Já gostava de folk e de folk rock – já vão tempos que Jethro Tull e bandas de sonoridade celta fazem parte da minha setlist – mas metal nunca figurou na minha lista de paixões. No entanto, sempre curti híbridos bem-conseguidos. Quem não se lembra daquele CD do Metallica (lindíssimo) gravado com a Orquestra Sinfônica de São Francisco?

O fato é que esse não podia deixar de mencionar Finisterra, dos madrileños do Mägo de Oz. Achei muito bem feito: bom som (sim, muito boa essa mistura de metal e folk), letras de levar às lágrimas qualquer marmanjo que se debruce sobre elas, e bem, uma história genial de um dom Quixote, Diego Cortéz, que viaja pelo mundo artificial de Satania, uma espécie inferno feito de bits que lembra algo da Londres de Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo. É possível acompanhar a busca que Cortéz faz de si mesmo em seu “Caminho de Santiago”, suas descobertas e sua revolta contra o sistema que lhe era imposto. Tem uma forte conotação política e uma nada velada crítica à religião – nem tanto à religiosidade ou espiritualidade. De novo, muito bom.

A sensibilidade das letras de Txus (que também é baterista da banda) transparece na voz de José Andrëa – acho que colocaria “Duerme” para ninar um filho meu – e é fácil perceber isso nas lindas “Maite Zaitut”, “La Danza del Fuego” e “El que quiera entender que entienda”. E talvez seja mais interessante por serem as palavras em espanhol – outra coisa que (admito, vergonhosamente) foge do meu cotidiano. Ou ao menos, fugia. Espero que não mais. :-)