Das essencialidades


Ter tempo de ter tempo e se dar ao luxo de dobrá-lo e desdobrá-lo, tal como se faz a um origami pensado com o amor de um apaixonado bêbado qualquer…
.
Olhar para o céu, sem procurar por nada em absoluto, e acabar por encontrar que em algum ponto brilhante do horizonte o absoluto existe, e se faz presente quando as estrelas, o vento e todos nós somos um.
.
Molhar os pés na água gelada e caminhar por entre folhas caídas e ver o sol morrer, majestoso, por trás das montanhas e saber que amanhã esse mesmo sol vai voltar a sorrir, se espreguiçando docemente por entre a paisagem.
.
Flaneuriar pelas ruas estreitas de uma cidade desconhecida, e perdendo-se, acabar por se encontrar.  
.
Olhar no fundo dos olhos do outro e conseguir penetrar-lhe a alma, naquele lugar muito além dos obstáculos, distrações e espelhos que se encontram no meio do caminho. E ao chegar lá, descobrir somente a quem se procura, e nada mais.
.
Folhear o livro das nossas vidas e contar suas histórias um ao outro, capítulo por capítulo, sem medo de que ele termine, ainda que saibamos que um dia esse livro terá fim.
.
Ter a compaixão pelo mundo além do nosso mundo, sem deixar que a dor, o medo, opiniões equivocadas ou ainda o conhecimento se transformem em inação diante da urgência da ação que se requer de nós. 
.
Saber que a vida se faz no próprio exercício de viver e não apenas de resultados, úteis e perfeitos, de cada exercício que se propõe completar.
.
Amanhecer cada dia com a disposição de ir dormir outra vez com um sorriso nos lábios, mas buscando fazer com que vários lábios sorriam no caminho até lá.
.
E saber…
Que sempre se precisa de muito pouco para se chegar ao muito que queremos, porque esse muito já está lá, escondido, esperando o momento de ser descoberto.
Que ser um e vários ao mesmo tempo não constitui paradoxo nenhum.
Que é preciso coragem para ser, e ser é bem mais do que refletir uma imagem apenas.
Que o fim não é e não pode ser um fim em si.
Que é preciso mais que criatividade para se imaginar o futuro.
Que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Que Machado de Assis estava certo, afinal, quando disse que a vida é boa.

Ela é mesmo.
Anúncios

Sleeping tight

You know when friends care by the way they share. :) And today I was given a gift I want to keep tight and think about until I’ve grasped its whole meaning: Stephen Fry talking about some ideas that’ve been circumscribing and orbiting my own ones since I don’t remember when… Surely he wouldn’t have been able to see them when he was 18, and nothing tells me that I can see or put them into practice now, even being a bit older than that. :) But it’s just a matter of trial and error to get there… long live all wise empiricism!

Sobre abacaxis e vida pública

Mais de uma semana depois das eleições presidenciais no Brasil, ainda aquela sensação de anestesia no ar. Segundos-turnos inimagináveis (quem vai ficar no governo do Distrito Federal?), jogadores de futebol e cantores, mulheres-fruta e até um palhaço semi-analfabeto que nunca votou fazem parte desse grande circo no país, em nome de uma democracia que nem sabemos ao certo o que é. É impossível não se indignar com o descaso com que trata-se e com que tratamos a coisa pública. Impossível não se revoltar com a eleição de Tiririca em São Paulo com mais de 1,3mi de votos. E não foi um estado escondido no nordeste do Brasil, foi São Paulo que o elegeu. Será que eram mesmo votos de protesto?, de quem diz, “vocês brincam de governar, nós brincamos de votar, e juntos, brincamos de ser uma República das Bananas”?. Bom, agora o Ministério Público que descasque o abacaxi. E o queremos bem descascado, mesmo que exista (surpreendentemente!) gente que proteste contra o corte. Confunde-se continuamente quem é e quem não é palhaço nesse país. No fundo, acho que somos todos. 
.
E ainda tem gente pra dizer que isso “faz parte de um processo democrático mais forte”, e que “se lutamos tanto para que os analfabetos votassem, por quê eles não podem se candidatar a um cargo político?”. Tem lógica, sim. Mas lógica é algo muito fácil de encaixar em qualquer argumento. Não precisa corresponder à realidade. O fato é que tanto votar quanto administrar têm um valor importantíssimo para a democracia, mas definitivamente não têm o mesmo peso. Administrar é uma tarefa nobre, tão nobre que já Platão dizia que era preciso que os sábios ficassem no encargo de fazê-lo; muitos séculos e pensadores depois, o conceito de democracia evoluiu e se modificou. Mas será válido confundir o processo democrático com um pandemônio em que tudo vale a pena, ainda que alma seja mesquinha? Sendo um ofício importante e que exige preparo, por quê não exigir que quem quer seguir a carreira pública queira algo mais (ou menos – no caso, menos vil) que apenas fazer seu pé-de-meia? Outro dia uma colega disse que achava que todos os candidatos deveriam ter um curso de Administração Pública, e acho que tem razão. Mas para mudar a cara de Brasília, seria preciso uma formação humanística muito mais completa do que aquilo que se vê nas faculdades de Direito hoje. 
.
Ainda assim, foi boa, muito boa, a surpresa do peso que a Marina Silva teve para provocar um segundo turno. Enquanto petistas cantavam a vitória, a surpresa das urnas, que só não foi tão grande quanto a que aconteceu em Minas. Sinal de que a teoria hipodérmica está dando errado. Por falar nisso, há também essas pesquisas de opinião, que se mostram cada vez mais um problema (pra nós, eleitores) do que uma solução (para os elegíveis): o discurso político gira em torno daquilo que as pessoas querem ouvir, cheio de evasivas, metáforas e irrelevâncias, tudo em busca de se colorir os gráficos ora com mais vermelho, ora com mais azul. Mesmo que exista a quantidade ridiculamente desnecessária de 27 partidos por aqui. 27! Será que precisamos de tanto? Não existem países que funcionam e tem muito menos que isso?
.
Enfim, discute-se o fundamento filosófico do aborto e posições religiosas, quase reza-se um rosário em rede pública enquanto pessoas morrem pela fome e pela violência que se mostra um desafio cada vez maior às prefeituras e aos governos em todo o país. Não que não seja importante o debate, mas acho que não se deveria inverter a escala de valores: as primeiras coisas deveriam vir primeiro. 
.
Enfim, o desabafo é bom; o debate, melhor ainda; e a expectativa para a próxima rodada, embora não seja tão “esperançante”, é bem grande. E continuamos querendo ver no que tudo isso vai dar.

Mais espaço para palavras soltas

Enquanto este espaço continua como uma espécie de repositório de ideias, trabalhos e otras cositas más relacionadas ao Jornalismo e à Comunicação, esta outra página aqui guarda e vai continuar guardando impressões sobre a vida, desabafos e outros relatos, em substituição ao meu falecido blog cor-de-jabuticaba. Uma hora ou outra todo mundo precisa de um pouco de organização na vida!