XXIII

As an unperfect actor on the stage,
Who with his fear is put besides his part,
Or some fierce thing replete with too much rage,
Whose strength’s abundance weakens his own heart;
So I, for fear of trust, forget to say
The perfect ceremony of love’s rite,
And in mine own love’s strength seem to decay,
O’ercharged with burden of mine own love’s might.
O let my books be then the eloquence
And dumb presagers of my speaking breast,
Who plead for love and look for recompense
More than that tongue that more hath more expressed.
  O learn to read what silent love hath writ!
  To hear with eyes belongs to love’s fine wit.

(W.S.) 
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In the eye of the storm

Seems like there are days that just want to presume they can compress a month or a week within those tiny 24 hours. These days are but of an awfully greedy type. They want to make you numb by getting you through a roller-coaster of feelings and emotions, going from extremely high vibes to extremely low ones. And gone worse if/when helped by that ever remaining sensation of inadequacy. But still, you keep pushing because you know that more than those days, you are the major responsible for your own fate. You decide where to put this kind of days, and not the opposite. One of your best friends can have headed back to another continent, you can all of a sudden find yourself ‘petless’ due to an unfortunate accident. Things might not be working (at all) as they were supposed to at your very first task with the job of your dreams, no matter how hard you try, and you know you’re pressing as hard as you can. You might feel drained by all these facts and your head starts spinning because besides that, you can’t avoid adding some questions that maybe you’ll never get the answer to. And you might not know where to put your feelings because you just don’t have some of the most basic answers you needed right now. And you get confused by things you’re not fully aware of and don’t know what to do. But on the other hand, you end up meeting some long gone one you haven’t seen for some 14 or 12 years, just out of nowhere, and it feels like as if a part of your history has emerged again and is alive, just as a gift you weren’t really expecting. And despite it all, you can see a faint light in the end of the tunnel because your academic life seems to be saving it somehow and you have a very strong reason to be glad about. Not easy to live all these sensations in less than 24 hours… Some stuff just require more mind control than what we’re bound to have.

But knowing where you want to get can help a lot with deciding what roads to take and what the next step will be. And maybe it’s not something so hard to see if you really want to. 

Antropologia sobre rodas

Ou “Tempo Perdido”
Ruas estreitas. Íngremes. Curvas acentuadas. Caminhos empoeirados, áridos. Veículos grandes e sem espaço de ser ou de estar. Sujeira. Pessoas com o sofrimento marcado no rosto, subindo e descendo da barulhenta condução. Roupas apertadas, mal conseguiam conter as barrigas, as ancas, a pele queimada e maltratada pelo sol causticante. Sujeira. Encostas erodidas pelas chuvas, esgoto a céu aberto. Um acampamento cigano às moscas. Sujeira. Paredes pela metade, reboco não acabado, montanhas de terra pisada. Sujeira. Os olhos teimavam em ficar abertos – e deixar todo aquele lixo entrar pela retina, lixo de uma paisagem que é capaz de deixar até os ossos cansados apenas por mirá-la, por olhá-la mais de perto. Sujeira.
Esse retrato do Ribeiro de Abreu eu vi hoje, quando estava à procura de um lugar apontado no mapa de BH para prosseguir na tentativa de fazer progredir um trabalho que não tem se mostrado muito frutífero até agora – uma combinação bombástica de políticos em campanha, agendas lotadas e falta de tempo. Frustrante.
A verdade é que depois de me dar conta que eu afinal não poderia chegar a tempo onde havia planejado, desisti e resolvi voltar para dar continuidade às outras tarefas da minha agenda, já não havia o que fazer quanto à tarefa mais importante e imperiosa do dia. Muito frustrante.
Mas o tempo, afinal, não foi de todo perdido. Quando se está num ônibus barulhento e sacolejante, subindo e descendo por lugares com que muito dificilmente alguém de fora poderia se identificar, é sempre bom se colocar a pensar em alguma coisa para abstrair. E foi isso que salvou a viagem perdida, embora não tenha conseguido me abstrair tanto assim. A abstração é difícil quando alguém se coloca a conjecturar sobre o como é complexa a tarefa de se governar um lugar. Qualquer que seja ele. Se dentro de uma cidade existem tantas realidades divergentes, chocantes, discrepantes, o que se dirá de um estado todo ou de um país do tamanho do nosso? Engraçado que é tão lugar-comum se dizer isso. E engraçado também é que as palavras se esvaziam de sentido exatamente por serem tão batidas. É preciso que se recupere o sentido que elas têm para que retorne a força da ideia que transmitem.
Será que o melhor é mesmo seguir a vontade da maioria, mesmo se essa maioria não sabe o que quer e nem para onde vai? O que Platão diria do governante que precisasse sair para ver o sol, para fora de uma caverna tão grande quanto Minas Gerais ou quanto o Brasil? Fico pensando na ideia de Rousseau, de se fazer a distinção entre a vontade geral e a vontade de cada indivíduo, como resultado meio amorfo de uma soma de um número enorme de desejos, vindos de todos os lugares. O que muda, em outubro, na vida dessas pessoas que vi subindo e descendo dos ônibus hoje… será que elas sabem mesmo o que querem? Será que se importam?
Para celebrar esse lúgubre tempo perdido, algumas notas guardadas junto das idéias agora transformadas em palavras e jogadas aqui.

Mind the Talk

Mais dois dedos de prosa sobre o assunto que não vai e nem pode calar: sustentabilidade. Edward Burtynsky, fotógrafo canadense vencedor do TED Prize em 2005, se junta à conversa e busca novas perspectivas para que olhemos para as paisagens que nós mesmos transformamos. Sem usar um tom apocalíptico, propõe formas que podemos encontrar para viver – melhor, conviver – de uma maneira que leva a sustentabilidade e desenvolvimento industrial em conta. E agora com uma versão em Português. :)