Post #1

 

Vontade imensa de escrever, de deixar umas ideias escritas num cantinho de papel novo, de novo. Como um painel entrecortado por uma imensa quantidade de notas escritas em pedaços de couché: branco, amarelo, azul-céu, cor de creme, sem obrigação de tamanho, cor, exigência de deadlines ou assunto. É isso. Acho que aquele “espaço intimista e pessoal” mencionado em outras conversas saiu. Ou chegou. E talvez ainda mais cedo do que eu imaginava. Talvez isso seja uma ação sintomática de algo de que eu já suspeitava: coisa parecida com uma “síndrome de stalker”, só que ao contrário. Tem voyeurismo que é feito no sentido inverso mesmo, quem assedia é quem escreve. Talvez na tentativa de provar a tese de que exista, em alguma subdivisão escura da taxonomia humana, aquela tal subespécie “homo sapiens scriptor“, ou quem sabe, não tem nada de sapiens, mas apenas de imaginatius, oniricus, opinius (e a completude da lista fica no encargo de alguém que tenha um latim mais afiado e não precise inventar nomenclaturas) e não consiga ficar muito tempo sem escrever. Por mais que a inspiração falte e que épocas completamente em branco existam em períodos dolorosos e irregulares, por mais que a escassez de leitores seja a única característica constante de certos blogs, tal como este, não importa. A graça da coisa é que a mesma Internet que te inunda e te sufoca de informação ininterruptamente é a mesma que oferece um espaço de vazão pra tudo isso, e melhor, com um furo de escape de tamanho proporcional ao da entrada. Maravilha. Então acho que é hora de deixar alguma coisa ser cuspida por esse enorme buraco-branco. Sem a velocidade vertiginosa que um Einstein poderia prever, é claro. Porque pra esse buraco, as leis de Newton ainda valem… ainda mais quando o buraco-negro do lado oposto é um espacinho que aperta uns 1280×800 pixels num retângulo de mais ou menos 14″x10″. Mas “defenestrar” é sempre preciso. Voilà!

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