Round and about

Todos os dias, desde há pouco mais de uma semana, vemos a dor, as esperanças esmiuçadas (ou renascidas) e as mazelas de um povo refém de uma aterrorizante catástrofe natural. A situação no Haiti, “país mais pobre do Ocidente”, é desoladora, e muito já se falou e se debateu sobre o assunto. O mundo inteiro tem os olhos, os ouvidos, as mãos e os bolsos voltados para aquele pequeno ponto sobre o Atlântico. E o Brasil lidera esforços para minimizar os efeitos do cataclisma: é preciso reconstruir não apenas o país, mas a dignidade e a vida das pessoas que conseguiram escapar daquele terrível 12 de janeiro. E também Obama, não querendo cometer o mesmo erro de seu antecessor, disponibilizou recursos e foi bem ágil na sua decisão sobre o que fazer diante da exigência incômoda e urgente. E querem ajudar também no “extreme makeover” de Porto Príncipe e arredores. Sobre isso, achei um artigo bem interessante, do NYT, com um comentário ainda mais interessante do Luiz Carlos Azenha: será que não seria mais prudente permitir aos haitianos que decidam como vão refazer o que desabou, ao invés de impor ideias e edifícios prontos, mesmo que à prova de terremotos? Falta dinheiro, mas certamente não falta vontade – e ela deveria ser canalizada para um bom aproveitamento, um esforço em conjunto que funcione de verdade.

Mas depois de tantos anos tentando “civilizar e organizar” a África – como o exemplo mais próximo do Haiti – já nos acostumamos a impor soluções  e fazer com que elas sejam engolidas garganta abaixo, suprimindo todos os questionamentos e posições divergentes, tudo em nome da ordem e da paz mundial. O Iraque ainda está aí como prova viva disso. Dadas as devidas proporções, será que vai ser diferente com o Haiti? Será que vão ser menos violentados do que o que já foram com toda essa catástrofe?

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