Ordem e Progresso?

It’s so beautiful seeing that “Order and Progress” written at the edge of the South Cross on the Brazilian flag, such as if it were really crossing our skies and claiming to the world we haven’t achieved full-growth yet – but soon enough we will. At the price of what?

This weekend I  gladly did a forgiveness ritual to my own general culture – paving some holes in my Brazilian movie knowledge by watching “Iracema: Uma Transa Amazônica” (Jorge Bodanzky / Orlando Senna, 1974) and “Serras da Desordem” (Andrea Tonacci, 2006). Both of them deal at some point with the exploitation and deflourishment of Amazonian forest, the destruction of its natural and social landscapes and its morbid consequences. In both the violence of the social scene shouts at your ears and eyes and there’s nothing you can do about it.

In “Iracema…” the dulling of senses, “reification” of individuals and de-rationalization of relationships – all due to the poverty which is a collateral effect of this so-called “order and progress” that Transamazonica tries to bring over –  is so cruel that sometimes illuding yourself with the desire that it’s just a fictional plot and not totally a documentary-style piece doesn’t sound the absurdity it should be. Iracema is an indigenous-descendent young girl with not many perspectives in life than someone with little schooling and far from the big economical centers should be – added to the fact Brazilian dictatorship hadn’t been over by that time – and she gets lost in prostitution. The documentary follows a little of her decadence, which grows bigger as the frames go by. The Paraense landscape seems like an inferno of colours, dust, water, woods, bribery and a kind of dirty sensuality (and literally dirty by the dust and toasted by the caustic Sun) that keeps your attention from beginning to end. Women are nothing else than mere objects, sexual machines that don’t have anything else to offer than their own bodies. There’s somehow a lust for self-destruction and lack of perspectives to those people that makes  the movie really shocking and interesting at the same time (I don’t know how long it took to be exhibited and how Bodanzky and Senna did with the 1970s censorship, but bearing this in mind makes the documentary even more interesting). All in name of Order and Progress.

On the other hand, the greener-framed and relatively more peaceful plot of “Serras da Desordem” shows the story of Carapiru, a guajá indian who had lost his whole family when his community went under attack from hitmen hired by tycoons who wanted to chop the trees down from a protected reserve and make money with it. This indian could save himself “by accident” and then wandered until he found a little village where the people took him over and reintegrated him in the community. Then the authorities came to know about it and took him again, so that Carapiru could go back to the Guajás that remained. All the story went to the media and further and very emotional happenings take part in the documentary. It’s very interesting that this identity issue is so strong here, specially for the strong connection man-nature that Tonacci wants to stress by the documentary. It seems that the good savage from Russeau has lost his home and with it, his own identity and inocence. The sadness of Carapiru eyes every time he changed environments, hidden behind a complacent smile also puts a question mark on the quest of our identity as the Brazil we are as well. It gets back to Iracema on the violation of self, loss of roots and lack of perspectives.And not only that. But just watching them a person could attest it.

It’s beautiful and violent at the same time… these are the kind of movies that you can’t be indifferent towards and really feel you have learned something and changed some points of view. It’s the kind of healthy violence that everyone should receive a little shock-treatment with to be healthier.

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Astrobrasilis

Rio de Janeiro, início de agosto, 2009. na Assembléia Geral da União Astronômica Internacional (UAI GA, na sigla em Inglês), a comunidade científica estava em polvorosa. Entre astrônomos, engenheiros, estudantes, cientistas do primeiro escalão da pesquisa mundial e representantes dos mais diversos países, uma enorme confluência de línguas e culturas, numa verdadeira celebração da ciência mundial. Neste ambiente entusiasmante, conversei com um dos nomes mais respeitados da Astronomia brasileira, o prof. João Steiner. Simpático e descontraído, o dr. Steiner já exerceu vários cargos-chave para a ciência brasileira, entre os quais foi  secretário de Coordenação das Unidades de Pesquisa do Ministério de Ciência e Tecnologia,  presidente da Sociedade Astronômica Brasileira, vice-presidente do consórcio internacional Gemini e diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, e é conhecido no Brasil e na cena mundial por ocupar a presidência no Conselho Diretor do Consórcio do Southern Astrophysical Research (SOAR) Telescope, cargo a que foi eleito e que envolve esforços em conjunto do Chile, EUA e Brasil para a construção de um telescópio para ser operado nos Andes chilenos.

Conversamos um pouco sobre a assembléia da UAI no Rio de Janeiro e a Astronomia no Brasil.

Como foi a escolha do Rio de Janeiro para se fazer a GA deste ano?

Isso é uma história curiosa, porque é algo muito disputado. E mais ainda porque essa reunião só ocorre uma vez a cada três anos. Veja bem: nos últimos 30 anos só aconteceram 10 reuniões em 10 países diferentes. E nunca houve no Brasil. Então nós decidimos concorrer, e a concorrência foi dura, porque concorremos com a China, Canadá e Estados Unidos (era pra ser no Havaí). E a China veio com muita força. Então, para a agente ter alguma chance de convencer essa reunião a ser feita no Brasil, tínhamos o Rio de Janeiro, porque o Rio tem um poder de atração diferencial, porque todo estrangeiro tem um checklist de “lugares a visitar na vida” com o Rio de Janeiro na rota. Então, é relativamente fácil convencer um estrangeiro a vir num congresso científico no Brasil, desde que seja no Rio de Janeiro. Porque é uma cidade diferente, tem muitos atrativos, a praia, da paisagem… então foi por essa razão que nós, astrônomos brasileiros, numa reunião da Sociedade Astronômica, escolhemos o Rio de Janeiro para concorrer, e graças a isso nós ganhamos da China e dos outros países.

O fato de esta GA ter sido feita no Brasil este ano tem ajudado a atrair os olhares e chamar mais a atenção para a Astronomia que é feita aqui?

Eu diria o seguinte: na verdade, a astronomia brasileira tem tido bastante apoio do governo federal, bastante apoio dos governos estaduais – pelo menos no estado de São Paulo, não é? –  e nós não podemos nos queixar por falta de apoio. Então, eu não diria que aumentou o apoio, porque ele já existia. O que acontece – e isso sim foi um diferencial – foi o seguinte: coincidiu também de esse ano ser o Ano Internacional da Astronomia (AIA). E isso sim foi um diferencial muito grande, porque deu muita visibilidade para a Astronomia. Então, juntou-se o AIA com (a reunião da) União Astronômica Internacional, e isso sim reforçou uma certa sinergia para essas coisas todas, e deu uma visibilidade muito boa nos meios de comunicação, na imprensa, junto à opinião pública e uma certa repercussão também junto ao governo.

Então o retorno não foi necessariamente em termos financeiros, mas principalmente em valor agregado, com mais gente interessada…

Isso, mais gente… e eu acho que o diferencial foi muito mais para a sociedade do que com relação ao governo.

E isso teve algum impacto na pesquisa científica no Brasil de alguma forma?

Eu diria o seguinte, eu diria o contrário: talvez a razão mais importante porque a reunião é aqui é porque isso é um reconhecimento da comunidade internacional de que existe uma ciência sólida sendo feita no Brasil. É um reconhecimento disso. E a gente pode confirmar isso com o número de astrônomos brasileiros que estão participando com trabalhos. Eu até tenho esse dado em algum lugar por aqui, e me parece que é da ordem dos 300, bom, 360 astrônomos brasileiros inscritos no congresso. O que é um número muito alto, considerando que no Brasil existem hoje, contando pesquisadores com doutorado e alunos do mestrado e doutorado que trabalham em tempo integral em Astronomia são 500, 508. E é muito. Em 1970, eram dois, três. Agora são 500. 508. é um crescimento extraordinário, não é? E muito recente. Eu sou uma das pessoas mais velhas  – como você pode ver, sou muito jovem, totalmente jovem, né? (risos) – na área. Eu fiz doutorado em 1979. Fui o quarto doutorado na USP na área de Astronomia. Então isso, do ponto de vista da história da ciência, é algo muito recente.

E então, o que se faz em Astronomia hoje no Brasil? Quem são os nossos maiores parceiros em cooperação científica internacionalmente?

Nós temos muita cooperação com os Estados Unidos e com a Europa (…) só que os nossos projetos, os nossos grandes telescópios (somos parceiros nos projetos Gemini e Soar, que são dois grandes telescópios), ficam um no Havaí e um no Chile. São telescópios fantásticos, entre os melhores do mundo, e nós somos sócios. O Soar, por exemplo (cuja construção é liderada pelo prof. Steiner) é uma parceria com os estados Unidos, que conta com três instituições americanas. Nós temos 34% das ações. E no Gemini são seis países, sendo que o principal também são os Estados Unidos. Então sob o ponto de vista de iniciativas estratégicas e grandes equipamentos nesses projetos, o grande parceiro são os Estados Unidos. Mas do ponto de vista de cooperação científica, nós temos um pé nos Estados Unidos e outro na Europa.

Por falar em Comunicação…

Vou inaugurar o espaço com uma entrevista em três partes sobre o assunto- objeto da minha paixão: a Comunicação humana. Falei com o professor Adriano Duarte Rodrigues, da Universidade Nova de Lisboa. Naquela tarde simpática de Julho, conversamos sobre desde o ensino de Jornalismo até a abertura pós-25 de Abril, num papo descontraído e bastante interessante. Se você gosta do assunto, não deixe de conferir as “Notas sobre Comunicação”.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Starting up

So, this is it. After some reluctance and wondering about one more space to flood the web with information, the decision to put some journalistic skills to work is finally done. The intent is to publish not only interviews so far, but views. Some may appear in words, other in images. Some might be in Portuguese, others not so much. But it doesn’t end here. Actually, it’s just at the start.

É isso. Depois de pensar e relutar sobre mais um espaço a inundar a web de  informação, a decisão de colocar algumas habilidades jornalísticas na roda finalmente foi tomada. O objetivo não é publicar apenas entrevistas neste espaço, mas pontos de vista. Algumas vão aparecer em palavras, outras em imagens. Algumas vão aparecer em Português, outras nem tanto. Mas não acaba aqui. Na verdade, é apenas o início.